domingo, 13 de abril de 2008
Vamos brincar aos cenários?!...
2º cenário: RH, em entrevista a um jornal australiano, deixou "fugir a boca para a verdade" dizendo que, jururu como estava, a sua vontade era de chegar a Dili, falar com os bispos, o "povo" (quem é ele?) e o Parlamento e dizer "bye, bye que eu perdi a pachorra para aturar malucos". Logo de seguida veio "corrigir o tiro" e dizer que não era sua intenção demitir-se que tinha havido uma como que "misinterpretation" do que tinha dito ao jornal.
Admito que houve mas creio que ele se atraiçoou a si mesmo e deixou que a boca lhe fugisse para a verdade... A questão, para mim, não é se ele vai ou não cumprir todo o mandato. "Cheira-me" a que não está para isso mas precisa de definir muito bem o timing de o fazer para não ser responsabilizado pela eventual instabilidade que a sua decisão provoque.
Recordo que ele chamou a atenção para o facto de o seu sucessor interino se estar a sair muito bem e por isso ele até acha que pode ir gozar a vida suplementar que o bom do Maromak resolveu dar-lhe no dia 11 de Fevereiro e que não é para desperdiçar a aturar aquela malta toda que não se entende...
3º cenário: decido que estará (?) a deixar o cargo e, muito importante, dar o exemplo de começar a transferência do facho para a geração seguinte e de que Lasama é um dos melhores exemplos (quem sabe se não haverá outro(s) que lhe siga o exemplo?!... Topam?!...), há que decidir o momento de o fazer e o que fazer até lá.
Uma hipótese é retomar a meada no ponto em que a deixou e encaminhar o país para eleições legislativas antecipadas (em 2009). Repare-se que isso permitiria, se a AMP se apresentasse como aliança PRÉ-eleitoral (e não PÓS-eleitoral como no ano passado) e se ela ganhasse as eleições, corrigir a embrulhada constitucional em que se meteu e meteu a própria AMP, reduzindo-lhe, quer queiram quer não, a legitimidade e a força. A ser assim, ninguém tinha que reclamar.
E se a FRETILIN ganhar, idem idem, aspas aspas... Eram só ganhos... desde que o PM não se lembre de dificultar as coisas --- o que não está fora de cogitação.
Neste cenário as eleições seriam em 2009 e em 2010, depois de arrumada a casa (e ainda 2 anos antes do fim do mandato) ele poderia ir, finalmente, gozar a vida airada que o espera.
4º cenário: quase todo igual ao anterior mas com um factor que pode fazer alterar os prazos referidos: o resultado do inquérito ao que aconteceu, de facto, em 11 de Fevereiro passado. Neste caso e se o relatório não o satisfizer, ele pode tomar duas atitudes: ou bate com a porta com algum estrondo dizendo que para ele a brincadeira acabou ou espera que novo relatório tenha mais credibilidade que o inicial.
No fundo, no fundo, é tudo uma questão de tempo, de prazos. Tempo esse, aliás, que pode estar na base de um último (?) e 5º cenário: "tudo como dantes, quartel general em Abrantes"!...
Enfim, prognósticos só no fim do jogo...
Que nem de propósito...
Que nem de propósito a OCDE publicou recentemente uma newsletter em que aborda o tema da influência dos impostos sobre o investimento directo estrangeiro (IDE; principalmente o efectuado pelas empresas multinacionais mas não só).
Aí se afirma a certa altura:
"Overall, investors look for countries offering a coherent policy framework. FDI deci-sions also depend on market access, a predictable and non-discriminatory legal and regulatory framework, macroeconomic stability, skilled and responsive labour mar-kets and well-developed infrastructure. When these conditions are weak, lowering business taxes cannot be expected to im-prove and may indeed weaken the invest-ment climate."
Isto, traduzido por miúdos, dá qualquer coisa como:
"Em geral, os investidores procuram países que ofereçam um quadro geral de políticas coerente. As decisões de IDE também dependem do acesso ao mercado, de um quadro legal e regulamentar predizível e não discriminatório, estabilidade macroeconómica, trabalhadores com qualificações e resonsáveis e infraestuturas bem desenvolvidas. Quando estas condições são fracas não se pode esperar que baixar os impostos sobre as empresas melhore o ambiente para o investimento, podendo mesmo enfraquece-lo."
E aí se diz também: "Uma carga fiscal baixa não compensa a existência de um ambiente fraco para o investimento".
No comments!
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Que título preferem para a notícia? "Mentirinha piedosa" ou...
Referimo-nos às recentes declarações do Embaixador americano em Dili que disse
"(...) nada saber sobre o que se passou a 11 de Fevereiro, nem sequer o resultado da investigação conduzida em Díli por agentes do FBI, a polícia federal norte-americana".
O que vale é que mais adiante e sobre um assunto completamente diferente acrescentou algo que merece a atenção "de quem de direito" (ouviram?!...):
"[Estas crises] "têm consequências muito sérias" (...) [com] um grande prejuízo para o país".
Hans Klemm deu o exemplo de uma intervenção da Millennium Challenge Corporation (MCC) em Timor-Leste. "Trata-se de um dos grandes fornecedores de assistência económica ao desenvolvimento. Os responsáveis da MCC interrogam-se agora sobre a estabilidade geral do país e a capacidade do governo garantir o cumprimento dos critérios exigidos em termos de desempenho político aos países onde a MCC trabalha", explicou.
Para lá de "ajustes operacionais" de vária ordem, disse o diplomata norte-americano, "o que é realmente grave é que um estrangeiro que pretenda fazer negócios em Timor-Leste pensará duas vezes" [ou então é louco, como dizia o antigo Ministro da Economia...].
Numa altura em que se discute a Lei Fiscal e em que esta parece ter como um dos grandes objectivos incentivar o investimento (nomeadamente estrangeiro) através de uma muito (demasiado?) significativa redução da carga fiscal média é bom que as autoridades timorenses tenham em boa conta estas palavras: mais importante para incentivar o investimento que um regime fiscal em que pagar impostos é uma excepção e não a regra é um ambiente político e social (e legal) em que os investidores acreditem.
Quantos anos vão ser necessários para os potenciais investidores recuperarem a confiança num país e em lideranças que o próprio Primeiro Ministro reconhece --- tarde e más horas... --- que "[andaram] um bocado a brincar"?!...
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Ando jururu...
E pensar que eu passei todo esse tempo
Investindo no meu know how
E pensar que eu quase me danei
Apostando no meu background
Ando jururu
I don't know what to do
Quero encontrar pelo caminho
Um cogumelo de zebu
E descansar os meus olhos no pasto,
Descarregar esse mundo das costas,
Eu só quero fazer parte do backing vocals
E cantar o tempo todo shoobedoodaudau
Fotografia ilustrativa de "andar jururu":
terça-feira, 8 de abril de 2008
Evolução recente e futura do preço do petróleo: as causas
Com data de ontem, dia 7, o Samsung Economic Research Institute, da Coreia do Sul (um dos principais institutos de pesquisa económica do país), divulgou a sua publicação periódica Korea Economic Trends que, apesar do título, não se limita a divulgar informação económica sobre o país.
O principal artigo desta edição é um intitulado Causes of soaring commodity prices and prospects onde aborda as causas do crescimento dos preços das matérias primas e perspectivas para o futuro próximo.
Vejamos algumas das conclusões do autor do estudo (Lee Jee-Hoon).
Ilustrando o rápido aumento dos preços das commodities refere que o Índice Global de Preços destas publicado pelo FMI subiu a “astronomidade” de 51% entre Janeiro de 2007 e Fevereiro passado, o que colocou os preços muito acima (21%!) do que seriam se se tivesse mantido a tendência de longo prazo na evolução dos mesmos.
Responsáveis por esta subida são as evoluções dos preços do petróleo bruto e de outros produtos, como o trigo, o ferro e a soja, entre outros.
A subida verificada no preço do petróleo é, sem dúvida, a mais importante e a que mais influencia a evolução do referido índice. Entre Jan/07 e Fev/08 o petróleo (o WTI, West Texas Intermediate, que serve de referência para o cálculo do preço do petróleo de Timor Leste) aumentou 41 USD por barril.
Mas o mais relevante do estudo é que ele procura determinar a importância relativa de vários factores nesta subida chegando à conclusão que 40,3% dela se deve à presença de especuladores de bolsa no mercado do petróleo. Tal presença deve-se ao facto de se terem “refugiado” nos mercados das matérias primas e, em particular, no do petróleo muitos dos investidores financeiros que actuavam nas bolsas de valores (acções, títulos de tesouro, etc) e que, nomeadamente devido às dificuldades que os mercados financeiros atravessam e à queda significativa da taxa de juro nos Estados Unidos, decidiram procurar melhor rentabilidade para os seus investimentos apostando noutros mercados menos “usuais”.
A somar-se a esta influência da especulação --- os mais críticos perguntar-se-ão mesmo "mas que capitalismo é este que se baseia na especulação?!..." --- há ainda a do risco geoestratégico (quase 40%), incluindo-se nele toda a incerteza sobre a evolução futura da economia mundial resultante da situação no Médio Oriente (Iraque, Irão, Tuquia vs curdos), na Nigéria (movimentos de guerrilha que atacam a extracção de petróleo e seu encaminhamento para exportação) e na própria Venezuela de Chavez.
Dois outros factores que costumam ser referidos são a contínua depreciação do USD e, naturalmente, o desequilíbrio entre a oferta e a procura de petróleo. Note-se, porém que esta última será responsável apenas por cerca de 1,8% da subida do preço do petróleo desde o início de 2007 enquanto que a primeira causa (desvalorização do USD) “responde” por 4,5%.
Tendo como pano de fundo a evolução que se tem verificado no preço do petróleo bruto e as expectativas em relação à evolução futura dos vários factores determinantes da sua evolução o SERI espera que em 2006 se verifique, face a 2007, uma subida de 24% no conjunto do ano. Porém, no primeiro semestre espera-se que se verifique um preço médio ligeiramente superior ao do segundo à medida que, como se espera, forem “acalmando” as expectativas “irracionais” quanto à evolução da economia e dos mercados financeiros.
domingo, 6 de abril de 2008
"Desculpe o mau jeito da cozinha!..."
Quando o seu prato chegou ele olhou para a comida e viu que era um monte preto --- apesar de o feijão ser encarnado. Chamou o chefe de mesa e disse-lhe entre espantado e revoltado: "Mas... a comida está queimada!... Eu não vou comer isto!". Aí o chefe, entre encabulado e senhor da sua chefia, respondeu-lhe calmamente e com a firmeza de um encolher de ombros mais imaginado que real: "Pois está! Desculpe o mau jeito da cozinha e se quiser coma, se não quiser não coma!..."
Nunca mais me esqueci desta cena e já a contei vezes sem conta. Aquele "desculpe o mau jeito da cozinha" não me sai dos ouvidos. E aplica-se a tantas circunstâncias...
Vem isto a propósito de declarações recentes de Xanana Gusmão. De acordo com a imprensa (LUSA) terão sido mais ou menos assim:
“A liderança timorense, onde me incluo, não esteve à altura de resolver os problemas. (...) Andámos um bocado a brincar e a pensar que as coisas se resolvem amigavelmente”.
Só faltou acrescentar o acima citado "desculpe o mau jeito da cozinha"...
Isto é: andou meio-mundo a dizer isto mesmo durante tempos e tempos e só agora se apercebeu de que "andaram um bocado a brincar"? Não acha que levou demasiado tempo a perceber isso? E será que percebeu mesmo? Se percebeu para quê aquela cena do cházinho? Não acha que já tem demasiados cabelos brancos e demasiadas responsabilidades para "brincar" com coisas sérias? Então isso são coisas com que se "brinque"? E o que espera que os outros façam? Que desculpem o cozinheiro e o chefe de mesa e comam a comida queimada por "mau jeito da cozinha"? E quem estava na cozinha e deixou queimar tudo --- em sentido absoluto e não apenas figurado ---, quem?!...
O que vale é que eu não tenho de desculpar ou deixar de desculpar...
Quem tem de o fazer que se pronuncie na devida ocasião...
Ele há com cada um!... "Desculpe o mau jeito da cozinha!...". Só visto!...
sábado, 5 de abril de 2008
"Caso Esmeralda": a culpa é dos Tribunais, claro!...
"Após um processo oficial de averiguação de paternidade, Baltazar Nunes perfilhou a filha quando ela tinha um ano e desde então tem tentado obter no tribunal a sua guarda. "
Este processo está mal desde o início e a principal culpa não é de nenhum dos mais directos intervenientes sendo certo, porém, que a única verdadeiramente prejudicada deste "romance" vai ser a criança.
Mas tudo é culpa do sistema judicial que não conseguiu ainda, em cinco anos, resolver algo que, dadas as circunstâncias, deveria ter sido resolvido em 5 dias ou, no máximo dos máximos, em 5 meses! No mínimo dos mínimos e se havia uma disputa de "paternidade afectiva", a criança deveria ter sido logo entregue ao pai biológico e depois os tribunais decidiriam o que fazer... Se tivesse sido assim alguém iria agora pedir que a filha fosse entregue ao sargento?!... O total falhanço do Estado e da justiça (escrevo com minúscula de propósito...) portugueses é que provocou o problema.
Toda (ou quase) a gente "atira pedras" ao pai biológico e loa o pai adoptivo mas... terão razão? Claro que compreendo o desejo deste último preservar a companhia da "filha" mas não tenhamos dúvidas de uma coisa: este processo só se arrastou tanto tempo porque ele se marimbou nos interesses da miúda e colocou os seus sentimentos acima dos dela --- e o sistema judicial permitiu que tal acontecesse!
Experimentem colocar-se na posição do pai biológico: passado algum tempo da criança ter nascido sabe e admite que é o pai e tenta, desde então , obter aguarda da filha. Nessa altura esta tinha apenas um ano e quaisquer "mossas" psicológicas que a alteração da sua situação pudessem causar seriam, creio, mínimas e facilmente ultrapassáveis.
É evidente que passados 5 anos a coisa é muito diferente e hoje, se a criança ficar com o pai biológico, vão ficar traumas, certamente. Mas o problema é que está tudo errado desde o início e a lei parece estar a proteger quem não devia...
De facto, é evidente que os "pais de afecto" obtiveram a guarda da criança de forma totalmente ilegal! "Torpedearam" a legislação sobre adopção e agora querem que os Tribunais façam com que "o crime compense" invocando os afectos entretanto criados pela criança. Isto é de uma desonestidade total!
O problema acaba por surgir só por causa da lentidão com que a justiça é feita em Portugal. Eu, se fosse ao pai biológico, punha o Estado português em tribunal por "danos morais" provocados! À criança, em primeiro lugar, mas também a todos os outros envolvidos. O azar da criança é que foi tratada como uma "coisa" que tanto faz que seja entregue num momento como 5 ou 7 anos depois ao seu legítimo "proprietário". Só que neste caso a "coisa" tem cabeça e coração...
Espero que, no mínimo, tudo isto sirva para alterar os procedimentos dos Tribunais em situações deste tipo, que envolvem pessoas. No mínimo a criança deveria ter sido IMEDIATAMENTE entregue ao progenitor em vez de deixarem a situação prolongar-se como se prolongou.
Se a indemnização a pedir ao Estado for de 200 milhões de euros ele percebe... Menos do que isso são "trocos"...
