quarta-feira, 30 de abril de 2008

E a batata? Vão plantar batatas!...

Que nem de propósito: descobri hoje que a FAO, a organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, decidiu, face ao aumento significativo do preço dos cereais no mercado internacional e à ameaça de fome que isso poderá provocar em vários países em desenvolvimento, designar o ano de 2008 como o Ano Internacional da Batata e fomentar o seu cultivo e consumo (veja aqui um texto publicado no Público sobre o assunto).

Para além das suas características alimentares há uma justificação importante para esta ênfase no tubérculo que faz a felicidade de muita gente (os "tugas" são os 10º consumidores per capita...): a de que se trata de um bem alimentar largamente difundido no mundo, pouco exigente quanto às condições para o seu cultivo e, principalmente, muito pouco transaccionado internacionalmente. Isto significa que o seu preço não está sujeito às oscilações que costumam acompanhar os preços dos bens objecto de comércio internacional. O que para os tempos que vão correndo é uma vantagem muito importante.

Vão plantar batatas!...

Arroz, milho e política alimentar em Timor Leste

Ângela Carrascalão no seu blog "Timor" no Público referiu-se ontem ao problema da dieta alimentar de Timor Leste, mais concretamente à divulgação, pela mão dos indonésios e suas políticas de distribuição de sacos do cereal e de prática de preços subsidiados, do uso do arroz na dieta alimentar dos timorenses em substituição do milho.
Hoje surgem notícias sobre medidas que o Governo estará a estudar para tentar fazer face à crise de abstecimento e de preços que já está instalada e que se prevê venha a agravar-se ainda mais no futuro.

A Indonésia, ao mesmo tempo que através de várias medidas acelerava o passo da urbanização de Timor, incentivou a alteração do tipo de alimentação: "milho", o cereal mais produzido e consumido nas montanhas do país era sinónimo de "rural", "atrasado", enquanto que "arroz" --- produzido em Timor ou importado de outras províncias da Indonésia, era sinónimo de "urbano", de "moderno". O resultado está à vista: hoje em dia nas montanhas continua a consumir-se milho --- mas o arroz está muito presente --- mas nas cidades quase só se consome arroz, nomeadamente importado (bem mais barato e fácil de comercializar que o arroz timorense).
A disponibilidade de recursos financeiros proporcionada pelo dinheiro do petróleo e uma mais que demonstrada apetência pelo uso (e abuso) de concessão de subsídios (afinal uma política económica que faz parte do imaginário de governantes e governados e herdada da Indonésia) pode levar o Governo a optar pela solução fácil de se substituir ao mercado comprando arroz no mercado internacional e vendê-lo no mercado a preço subsidiado. Pelo menos um saquito de 30 kgs por família/mês...
Mais difícil mas certamente mais indicado seria, como sugerido por Ângela Carrascalão na 'entrada' do seu blog , uma política de reintrodução do milho na alimentação das cidades. Tal qual ou sob várias formas derivadas, nomeadamente sob a forma de pão... De preferência com umas rodelinhas de chourição...
Até porque a anunciada política de incentivo à produção interna de arroz só resultará se for possível apostar em técnicas mais produtivas, nomeadamente através da utilização de fertilizantes. Ora é exactamente o encarecimento dos factores de produção (feritilzantes, energia) que está, em parte, a ser o responsável por uma certa insuficiência da oferta de arroz no mercado internacional que tem levado ao aumento do seu preço.
Além disso, com o preço do arroz nacional bem acima do do importado, quem lhe vai pegar?
O melhor mesmo é o pãozinho de milho com chourição... e outras "delikatessen" à base de milho.

Ó Ângela: porque não dá uma de Maria de Lourdes Modesto e vai à televisão fazer uns pratos à base de milho?!... Topa? :-)
E, já agora, não se fique por aí: alargue o âmbito do programa e ajude a, com recursos do país, melhorar a dieta alimentar dos seus patrícios. Eles precisam tanto... E têm tanta coisa boa que pode ser melhor aproveitada! Seria um dos melhores serviços públicos que poderia fazer. VEXA ou outrém, não sou esquisito...
Estou convencido que a Fundação Oriente dava uma ajuda... Nem que seja disponibilizando a cozinha do Hotel Timor. Mas não só. Porque não publicar uma rubrica de culinária nos jornais diários? Já me lambo...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Passe a publicidade...

... aconselho vivamente que comprem o número de Maio da edição portuguesa da National Geographic pois vem acompanhada de um suplemento especial sobre "O estado do planeta".


Muito bom! Palmas! Clap, clap, clap!...

Uf! Até qu'enfim: ovos com salsichas!...

... e salsinha, muita salsinha!
Esperemos que seja desta que Timor começa a encontrar o seu rumo.
O pior é que cada vez mais estou como São Tomé...
De quaquer forma, "Força, Timor Leste!..." 'tamos torcendo!...

PS - alguém me pode explicar para que serviu aquela "cena" da recepção no Palácio do Governo com o Primeiro Ministro em exercício (o vice) e, depois, o PR? Desta vez quem levou o cházinho e as bolachinas? Foi por conta da casa? E foi para não estar presente nesta cena que Mr. X se "baldou" para a Indonésia? Talvez...

domingo, 27 de abril de 2008

A arte do Islão

Este é um post absolutamente 'desalinhado' com o que é habitual no Olhólafaek!... já que é apenas para fazer propaganda... Porque não quando a causa se justifica? Neste caso a propaganda é à exposição de arte do Islão que decorre no Museu Gulbenkian, ali para os lados da Praça de Espanha/Avª de Berna (em Lisboa, claro). O título, "A educação do príncipe", não será dos mais felizes na medida em que não deixa antever a verdadeira extensão e perfil da exposição que estará aberta até 6 de Julho.

Trata-se, na verdade, de uma parte da colecção do futuro Museu Aga Khan, em Toronto (Canadá) que cobre várias formas de arte "árabe", da Turquia ao Irão e à Índia dos Mogóis (não me enganei; é "mogóis" mesmo e não "mongóis").
Não deixem de, se possível, a visitar (preparem 4€ por pessoa... E aproveite o bilhete para ver o Museu Gulbenkian propriamente dito e que é muito bom).
Numa época em que o Islão é falado, no "mundo ocidental e cristão", por razões que não são necessariamente as melhores, é bom ver esta pedrada no charco na procura de um entendimento entre os povos pela via da sua arte e cultura. Eis o caminho...
Pela minha parte, fico sempre completamente "babado" ao ver as iluminuras dos livros produzidos pelos artistas árabes. Querem ver porquê? Então vejam e digam se tenho ou não razão?


sexta-feira, 25 de abril de 2008

Onde estava você no "25 de Abril"?

Cumprindo o serviço militar... No meu caso na "Gloriosa", a Marinha. "A Pátria honrai que a Pátria vos contempla". Mais concretamente no... Serviço de Informação Pública das Forças Armadas (SIPFA) do Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA), na "Cova da Moura" (não! não é exactamente essa...!... é o palacete da Avª Infante Santo, em Lisboa...).
Como calculam, nos dias a seguir à Revolução dos Cravos (parabéns, menina! Obrigado Salgueiro Maia!) não tínhamos mãos a medir: haver um serviço que se chamava "de Informação Pública das Forças Armadas" parecia uma bênção para toda a gente que queria saber coisas... Como se nós soubessemos... :-)

Mas depois é que foram elas: as Forças Armadas passaram, de repente, a ser o "ai Jesus" de todo um povo e tinham que ter solução para tudo. Foram uns tempos "heróicos": coube-me pessoalmente de tudo um pouco. Fui conselheiro matrimonial, participei numa ou noutra reunião em empresas para tentar pôr água na fervura nas relações entre patrões e empregados, fui conselheiro de pessoas que queriam saber se as FA as deixavam ocupar casas, dei palpites em questões de acesso a águas em terreolas de Trás-os-Montes, dei entrevistas a jornais estrangeiros e, para fazer de uma história longa uma historieta curta, conversei com exilados políticos que eram refractários ao serviço militar ( "à guerra") sobre as perspectivas para o seu regresso a Portugal sem terem de ir parar com os costados à "tropa".
Recordo particularmente de um deles, exilado na Argélia. Mais ou menos em representação de outros que também lá estavam veio a Portugal logo no início de Maio de 74 para tentar "tirar nabos da púcara" quanto ao tratamento que as FA lhes reservavam se regressassem a Portugal para participar no esforço de reorganização do país.
AB (as iniciais do seu nome) esteve um bom bocado de tempo procurando descortinar resposta firme para uma coisa em que ninguém tinha ainda pensado, preocupados que estávamos (colectivamente) com outras coisas bem mais urgentes. Sem garantir nada, lá lhe fui dizendo que uma solução para o caso não seria tomada nos próximos meses, certamente, mas que toda a "lógica" do processo ia no sentido de os deixar regressar sem obrigar ninguém ao cumprimento do serviço militar --- ainda por cima no caso de gente, como era o caso dele, com mais de 35 anos e com formação académica superior. Desses tínhamos cá muitos...
Depois de uma cavaqueira de cerca de uma hora lá se convenceu que o melhor era "esperar para ver em que paravam as modas" e adiar uns meses o regresso.

Depois disto, qual não foi o meu espanto quando, em Outubro seguinte, numa reunião de trabalho dei de caras com ele. Fiquei eu tão espantado quanto ele e passados os primeiros momentos perguntei-lhe se tinha regressado definitivamente --- pergunta tonta no contexto em que foi feita: o de uma reunião de trabalho. Respondeu-me que sim e depois explicou-me que eu tinha desempenhado um papel fundamental na sua decisão não tanto pela conversa que tinhamos tido mas por um outro facto de que nem me tinha apercebido.
É que na altura e por necessidades profissionais eu andava a ler "O Capital" --- sim, esse, o do Carlinhos Marx...
Ora, depois da conversa com ele eu tinha ido ao meu gabinete buscar o livro para me ir embora e desci no elevador com o dito exilado e o livro na mão. Foi aí, disse-me ele, que decidiu regressar pois pensou para os seus botões: "O que é isto?!... Um oficial da Armada a ler "O Capital" ?!... Este país mudou mesmo e esta gente não tem nada a ver com os 'tropas' de antigamente. Vou mas é à Argélia buscar a trouxa e regresso a Portugal". E assim fez...

E esta, hem?!...

Presa por ter cão, presa por não ter...

'tadinha da Timor Telecom!... Está outra vez em bolandas por causa das gravações (melhor: das não-gravações) das chamadas telefónicas.
Se bem me lembro, há alguns meses atrás atiraram-se a ela como gato a bofe acusando-a de fazer escutas telefónicas, ao que ela retorquiu que não as faz porque nem tem aparelhagem para isso. Bendita falta de equipamento, que a salvou de uma enrascada...
Agora, pelo contrário, o Procurador Geral da República vem-se queixar de que a TT "dificultou" a investigação sobre os atentados (ou um atentado e um inventado? A ver vamos) de 11 de Fevereiro:

«A companhia Timor Telecom não tem um sistema favorável e assim o PGR não consegue detectar os contactos telefónicos dos criminosos. Portanto a Timor Telecom dificultou os serviços do PGR» [ênfase nossa]

Se a lógica fosse uma batata diria que estamos perante um PGR filósofo que gosta de silogismos e de sofismas... E/ou que ele não sabe o significado das palavras (o que é mais certo). Quando diz que a TT "dificultou" está a pressupor/afirmar que houve uma acção deliberada, intencional, da empresa para, tendo as gravações, ter boicotado as investigações em nome de um qualquer argumento; por exemplo o do supremo valor da confidencialidade das conversas dos seus clientes.
Afinal o que se passou/passa é que a TT não ajuda(-ou) porque não tem os meios técnicos para ajudar, como o próprio reconhece. Por isso o uso da palavra "dificultou" é absolutamente enganadora e abusiva. Ai a especial apetência de muitos timorenses para serem "confusionistas"... em vez de confucionistas!...

Poder-se-á dizer que deveria ter aqueles equipamentos mas aí entramos num campo armadilhado porque se os tivesse perguntariam logo para que os queriam senão para espiolhar a vida das pessoas...
Afinal tudo isto não passa de mais uma manifestação de algum "ódio" (é uma palavra forte, não é? Mas em vários casos não anda muito longe da verdade) de algumas pessoas à TT e, genericamente, aos investimentos portugueses em Timor --- senão mesmo a tudo o que "cheira" a Portugal.
Este ambiente não é o mais propício num país que nos próximos anos (e per omnia secula seculorum...) vai depender significativamente do investimento estrangeiro.
Enfim, "presa por ter cão, presa por não ter"...