sábado, 24 de maio de 2008

A verdade é que... (a propósito do terramoto na China)

Pois é... Mais cerca de 80 mil vidas que, entre mortos e desaparecidos (mas mortos, em 99,999999% dos casos...), se vão em mais um grande terramoto na China.
A hora a que ocorreu no local (pouco depois do almoço) aumentou significativamente o número de vítimas. Mas muito provavelmente se tivesse sido durante a noite o resultado não seria muito diferente. Até poderia ser pior...
Porque o problema é que as autoridades chinesas têm sido completamente descuidadas quanto à construção de edifícios em zonas propícias à ocorrência de terramotos. E esta é uma delas, como se pode verificar no mapa abaixo. "Construção anti-sísmica? Hummmm!... Não conheço!...".


A qualidade da construção na China é, de uma forma geral, relativamente fraca. As próprias estruturas dos prédios parecem feitas com fósforos, tal a grossura (reduzidíssima) dos pilares usados.
Aliás, se se derem ao trabalho de ver com atenção as fotos que aparecem nos jornais poderão aperceber-se do que falo. A verdade é que, por responsabilidade das autoridades chinesas, tudo aquilo é completamente inadequado às características sísmicas da região. Por isso quando a terra tem um arrepio de frio um pouco maior, os prédios caem como baralhos de cartas empurrados por um leve sopro.
Temos, pois, que a intensidade do terramoto, embora muito forte (7,9 graus!), não justifica, só por si, os efeitos devastadores que teve, varrendo do mapa povoações inteiras. É que os prédios caíram mesmo como cartas! Indescritível!


Esperemos que os responsáveis chineses aprendam a lição e passem a tomar mais a sério a necessidade de adaptar o tipo de construção às características sísmicas do seu território. Caso contrário daqui a poucos anos teremos novo cataclismo no género e dimensão deste.
O pior é o que já está construido e que vai soterrar mais umas dezenas de milhares no próximo grande terramoto...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Bem prega Frei Tomás!... Alguns elementos sobre a ajuda internacional da União Europeia (e de Portugal, claro)

Acaba de ser publicado (hoje) pela confederação europeia de ONGs de apoio ao desenvolvimento uma análise sobre a ajuda internacional da União Europeia, particularmente dos países que há mais tempo participam nela e na ajuda ao desenvolvimento.
Trata-se do documento No Time to Waste: European governments behind schedule on aid quantity and quality; o seu título diz logo ao aque vem já que pode ser traduzido, com alguma liberalidade, por "os governos europeus estão atrasados em relação ao programado quer na quantidade quer na qualidade da ajuda".
Quanto à quantidade, o gráfico abaixo ilustra a situação: tendo afixado para si próprios que a ajuda a conceder aos países em desenvolvimento seria de 0,51% do Rendimento Nacional em 2010 e 0,7% em 2015 --- data em que termina o prazo para alcançar os chamados "Objectivos do Milénio" pelos países em desenvolvimento ---, a verdade é que a situação é muito díspare entre os países. Se uns, os países nórdicos, já ultrapassaram hoje as metas fixadas (incluindo a mais alta), vários países estão muito abaixo do programado e será impossível alcançarem aquelas metas nas datas previstas. Portugal é um destes casos, com apenas 0,21% em 2006, valor que desceu para 0,19% em 2007 (clique nas imagens para as aumentar, sff).

Além disso, o nosso país é dos que têm a sua ajuda mais "ligada". Isto significa que uma parte muito significativa é constituída por bens/serviços nacionais, sendo muito menor a parte que é usada para adquirir bens/serviços a outros países mas com destino final aqueles a que Portugal concede ajuda. Neste domínio a Itália é, de longe e desde há muitos anos, a recordista. Note-se que se considera que uma ajuda menos "ligada" é algo de positivo porque permite que se adquiram bens e serviços mais em conta noutros mercados (por exemplo outros países em desenvolvimento) para fornecer aos países receptores da ajuda.



Por outro lado e quanto ao futuro, o gráfico abaixo ilustra bem a evolução que se espera vir a acontecer. Como se pode verificar a tendência actual é vir a ficar-se muito aquém do prometido pelos países europeus.
Recorde-se que estes exercem grande pressão sobre os países em desenvolvimento para que adoptem e alcancem as metas fixadas para os 7 Objectivos do Milénio que devem prosseguir mas quanto ao único que é da sua própria responsabilidade... "moita, carrasco!...". Em vez dos 67 mil milhões de euros que deveriam ser gastos em 2010 as despesas de ajuda não deverão ultrpassar cerca de 42 mil milhões, menos de 2/3. Bem prega Frei Tomás!...


Finalmente, refira-se que o relatório faz também uma análise da cooperação externa de cada país europeu mais envolvido na ajuda ao desenvolvimento. Abaixo está a informação relativa a Portugal

terça-feira, 20 de maio de 2008

Posso pedir uma coisa?!...

Além de dar os parabéns a Timor Leste pelo 6º aniversário da sua "intependência/restauração da" posso pedir que tenham saúde e felicidade?!... E já agora e como condição sine qua non para ambas... que os políticos do país tenham juízo. É que quando a cabeça (dos políticos) não tem juízo o corpo (dos outros...) é que paga... Tá?!...




segunda-feira, 19 de maio de 2008

Meu caro "Anónimo"...

À falta de outra forma de o fazer mas também porque o assunto é relevante para todos os que têm a pachorra de ler o que escrevo neste blog aproveito-o para fazer um esclarecimento.
Este é relativo ao comentário à 'entrada' anterior sobre "Mais olhos que barriga" que poderão ler mais abaixo.

O que está em causa são principalmente as afirmações finais do comentador e que aqui me permito recordar:

"Por favor, não critiquem à toa, mas façam-no de uma maneira construtiva. E nunca se esqueçam, que se Timor-Leste não ocupar o seu mar, outros o farão por ele.
Não é isso que querem, pois não? Ou é?"

Agradeço a forma delicada como o "anónimo" que subscreve o comentário coloca a questão e as informações que nos dá sobre a actividade das duas lanchas de fiscalização. Por aí se vê que se trata, muito provavelmente, de um "filho da Escola"...
Permito-me no entanto responder que mesmo quando sou um pouco mais "ácido" nos comentários procuro ser construtivo. Só que, provavelmente, temos concepções ligeiramente diferentes sobre o que isto significa.
Uma releitura do meu texto deixa bem claro que "[tem] de se equacionar a questão da existência de uma força naval (minimamente) "condigna"." Quanto a isto não podemos estar mais de acordo, sendo válidos todos os argumentos constantes do seu comentário. E nesse sentido não "enfio a carapuça" das suas duas últimas perguntas... :-)

O meu problema é o 'timing'... É que quando se deixa de ser realista para ir atrás da utopia (a referência é sua...) a utilidade do processo fica definitivamente comprometida. Além disso, por feitio e por formação (em que esta refinou aquele...), acho que não há como a verdade... Para quê colocar um horizonte de 2020 se se sabe que é... "utópico"? É inútil e, a médio prazo, perigoso pois as pessoas habituam-se a que os planos não sejam para cumprir... E quando não se cumpre o primeiro e o segundo fica logo estabelecida a "lei" de que o que se diz não se escreve e que o que se escreve não se faz. É este o grande perigo e pela minha parte recuso-me a aceitar esta filosofia do "deixa andar" e do "faz de conta". "O que merece a pena ser feito merece a pena ser bem feito". Não é?
Não seria mais útil (porque mais realista) "empurrar com a barriga" esse horizonte por, no mínimo dos mínimos, cerca de 20-25 anos atirando-o para cerca de 2040-2050? "Empurrá-lo" e assumi-lo, explicando-se porquê. Isto se estivermos a falar de ter operacionais todos os meios navais de que se fala tendo em conta o seu objectivo. Em 2040 ou 2050 convido-o para vermos onde se estará então...

Por essa data e tendo em consideração a vida útil dos poços de petróleo (cerca de 20-25 anos), corre-se, de facto, o risco de aquilo que se quer defender com os meios navais mais "pesados" de que se fala já estar esgotado ou em vias disso... Este aspecto foi acautelado?

Mais: considerando que as fronteiras marítimas de Timor Leste com a Austrália só serão definidas, por acordo entre as partes, lá para 2055, se houver, por exemplo, um ataque terrorista às plataformas petrolíferas --- é este o único e verdadeiro perigo, não é? É que não estou a ver a Austrália e Timor à chapada à volta das plataformas... --- quem as defende? Ou, melhor: quem as defende já sabemos (ou não sabemos? :-) ); o que quero saber é quem tem o dever jurídico de as defender? Isto está esclarecido nos acordos entre os dois países? Nunca ouvi falar de tal coisa. Mas isso deve ser falha minha, certamente.

E finalmente: a crítica, quando visa fazer "descer à terra" ou apontar um caminho que se julga mais correcto a alguns "utópicos" não é "à toa"; é até do que de mais construtivo se pode fazer... Não é? :-)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mais olhos que barriga...

A LUSA, em despacho de Dili divulgado pelo Timor Online a propósito da reunião naquela cidade dos ministros da Defesa dos PUPLO ( :-) ) --- Países que Usam o Português como Língua Oficial :-) ---, dá conta de algumas das linhas de força (já conhecidas) do desenvolvimento futuro das Forças Armadas timorenses, particularmente da sua componente naval.
Nele se refere que tal evolução, definida no famoso relatório "2020", prevê que

"A Força Naval Ligeira deve possuir uma capacidade de desencorajar qualquer acto de humilhação do Estado de Timor-Leste no mar, ou atentatório dos seus interesses vitais", lê-se no caderno estratégico.
O quarto vector dessa Força refere "navios combatentes (classe de fragatas e corvetas, incorporado com mísseis terra-terra e terra-ar)" e apoiada por um "núcleo de navios patrulha oceânicos, unidade de helicópteros de apoio e ataque, radares e sensores da última gama, Fuzileiros Navais e mergulhadores para contra-medidas de minas". "

Considerando que estamos a cerca de uma dúzia de anos daquela data --- o ano 2020 ---, parece-nos evidente que os autores do relatório tiveram "mais olhos que barriga" pois o país não estará em condições de cumprir as metas fixadas.
Para além da velha questão de ter de haver uma opção entre "manteiga" e "canhões" quando se trata de afectar recursos (financeiros) escassos --- que continuarão a sê-lo malgré os rendimentos do Fundo Petrolífero ---, há que pensar se há (se haverá na época) os recursos humanos necessários. É evidente que não. Uma "Marinha", mesmo que "de algibeira", não se cria "do pé para a mão"... Basta pensar no que foi a vida útil das duas lanchas de fiscalização actualmente disponíveis...
Mas isso não significa que não tenha de se equacionar a questão da existência de uma força naval (minimamente) "condigna". Claro que sim mas o melhor é ir "empurrando com a barriga" o horizonte temporal...
Nesse sentido o relatório deveria chamar-se "2120" em vez de "2020"? Também não é preciso exagerar, né?!... Mas... e que tal se fosse "20-e-'picos'"? Pois... O problema é saber quantos "picos"... 40? 50? 60? 70? Huuummmm.... O pior (?) é que nessa altura (ou lá perto...) é capaz de já não haver (quase) nada para defender no Mar de Timor (no "taci mane", o que tem petróleo) ...

PS - A actual componente naval das F-FDTL integra, como se sabe, apenas duas pequenas lanchas de fiscalização cedidas por Portugal em 2002 (a "Oecussi" e a "Ataúro", cujas madrinhas são Ana Pessoa e Fernanda Borges) e que têm sido muitíssimo pouco utilizadas. Estiveram "em fabricos" (reparação) na Indonésia (financiamento português) até há pouco tempo depois de terem sido muito danificadas já em Timor, nomeadamente aquando do pequeno 'tsunami' que aí se verificou há poucos anos.
Veja também informações (limitadas) sobre o que são fragatas e corvetas (exemplo: as fragatas MEKO da "classe Vasco da Gama" da Marinha Portuguesa) e navios de patrulha oceânicos.

Marinheiro de água doce...

Nascido, criado e vivido "au bord de mer" e tendo passado (militarmente falando) pela "Gloriosa" --- aquela cujo lema é "A Pátria honrai que a Pátria vos contempla" ---, não admira que, como costumo dizer, "a minha alma cheira a peixe". E que o mar e os navios me atraiam tanto... À lá coisa mais linda que uma noite no mar alto?!... Ou que o mar visto da Serra da Arrábida?!... Ou do "subão", a caminho de Baucau?!... Ou de Tutuala?!... Ou, ou, ou?!...

Pois por causa disso mesmo dei comigo há dias espreitando alguns dos muitos navios de cruzeiro que nesta época do ano passam por Lisboa. Maio é, normalmente, o mês de melhor "colheita"...

Para ilustrar do que falo aí vão três exemplares.

Crown Princess

Cristal Serenity

Costa Victoria

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Que confusão de narizes!...

Segundo o "Timor Online" Ramos Horta acaba de dar uma entrevista ao The Earth Times em que afirmou nomeadamente:

"I have three priorities for the next two years: first, the reorganization of the police force and Army. Second, serious efforts to alleviate poverty with cash for the most vulnerable, like old people and veterans. They should get 100 US dollars monthly. Third, to invest in infrastructure projects that create a lot of jobs."
[Eu tenho três prioridades para os próximos dois anos: primeiro, a reorganização da Polícia e do Exército; segundo, esforços sérios para reduzir a pobreza com transferências em dinheiro para os mais vulneráveis, como os idosos e os veteranos. Eles devem receber 100 USD/mês. Terceiro, investir em projectos de infraestruturas que criem muitos empregos]

Mas... isto não é um programa de Governo?!... Afinal eu perdi alguma coisa no "filme" da História? O eu sonhei e VEXA não foi eleito Presidente da República em 2007 e continua a ser Primeiro-Ministro?
E como vai implementar este seu "programa de Governo"? Já está preparando o Orçamento para apresentar ao Parlamento a fim de ele o aprovar (ou não)? E as leis: já estão a ser redigidas? E essa promessa dos 100 USD/mês é para ser cumprida por quem? Por si pessoalmente, do seu orçamento familiar? E se o Primeiro-Ministro "de facto" ou de facto não "alinhar" nas suas promessas? Vai andar à chapada com ele ou demite-o e convoca eleições antecipadas? Ou VEXA é um maroto e está a fazer isto para "entalar" o PM? Bem pensado; VEXA promete e ele não cumpre... e demite-o. Genial!... Um bocadinho maquiavélico, não?!... Maroto!... "Naughty boy"!...

E foi por acaso que se esqueceu daquilo que é, de facto, função primordial de um Presidente da República --- cumprir e fazer cumprir a Lei, nomeadamente a Constituição, no quadro da consolidação e funcionamento regular de um Estado de Direito? Ou esqueceu-se de propósito? E se isso não faz parte das suas prioridades, faz parte das prioridades de quem?

Que confusão de narizes!...