Afazeres profissionais e outros têm-me impedido de dar a minha "dentadinha" de vez em quando... Parece que foi de propósito para depois "morder" várias canelas ao mesmo tempo mas não foi.
A primeira canela a morder é a do Manuel Alegre. O homem deve pensar que, porque escreveu um dos mais belos poemas da língua portuguesa e que se tornou um símbolo da luta contra o fascismo --- sim, claro que me refiro à Trova do vento que passa ---, toda a gente está disposta a "engolir" os seus pensamentos profundissíssimos ( :-) ) sobre política e, agora também, sobre a economia do país e, quiçá, do mundo.
Foi, de facto, com enorme tristeza que o vi "afundar-se" completamente nas suas últimas declarações na entrevista que deu à TV. Que pobreza de análise dos problemas. Parecia que estava no café da esquina conversando diletantemente com uns compinchas no meio de uma rodada de cafés. E tudo com aquele ar de grande intelectual e de ser "profundissíssimo" que ele sempre tem. Que pose!...
Mas quando se espera que "dê duas para a caixa" em termos de ir mais ao fundo das questões e apresentar soluções alternativas, "tá quieto ó mau!..." Nada! Não sai nada! Como podia sair se lá dentro não há nada?!...
Curioso é como "matéria atrai matéria"... Só assim se compreende a sua presença no comício levado a cabo, entre outros, pelo "Berloque de Esquerda"... É que estes são outros que tais!... Parecem uma coscuvilheiras: dizem mal de tudo e todos mas quando chega a hora de fazer propostas alternativas que se perceba serem minimamente exequíveis... zzzzzzzzzzz! Ouvem-se as moscas!
E é pena. Habituei-me (mal?) a ter alguma consideração intelectual e académica por dois dos principais expoentes do Bloco: Francisco Louçã e Fernando Rosas. Mas que desilusão política!... Principalmente o primeiro, de quem se esperaria mais à partida... Mas afinal tem apenas um "mamar doce"...
Propostas concretas que se adivinhem com pernas para a andar é coisa que nunca vi por aqueles lados! O deserto completo de ideias sobre muitos temas é confrangedor. É só maledicência e pouco mais: sugerir caminhos alternativos? Estudar bem os dossiers e explicar o fundo das questões? Dá muito trabalho e não rende votos. O que é necessário é dizer mal de tudo e de todos... Com a tranquilidade de quem sabe antecipadamente que nunca na vida o chamarão à responsabilidade pela execução de políticas porque nunca, mas nunquinha mesmo, se sentarão na cadeira do poder... Assim também eu... Nem vale a pena perder tempo a sugerir alternativas porque sabem à partida que nunca terão de responder por elas!
Finalmente, uma mordidela nos camionistas. Será que não percebem que se o problema é geral a vários países simultaneamente então é porque o problema não é dos país (do Governo...) A ou B mas sim, muito provavelmente, de um país/Governo C que veio a sugerir determinadas medidas de austeridade. Mais, muito provavelmente a causa é exterior aos intervenientes mais directos.
De facto, é isso que se passa... As políticas norte-americnas de baixar a taxa de juro e também os valores do USD levaram a que muitos dos operadores nos "mercados bolsistas" se virassem, face ao fraco rendimento dos "papéis", voltarem-se para os mercados de matérias primas (incluindo o petróleo) para nele especularem e, por arrastamento --- anda por aí muito dinheiro "à solta"... ---, provocarem o aumento significatido de preços.
Enquanto os agentes destes mercados não forem mais "domesticados" através de normas apropriadas (impossível) ou pelo jogo do mercado, a especulação e a subida dos preços vai continuar. Helas!...
Não há por aí quem explique isto aos motoristas? E do serve baixar hoje 5 cêntimos em litro se amanhã o preço vai subir para 1 euro ou mais? O estado terá de reduzir o imposto sobre o combustível de cada vez que haja subida do petróleo bruto? E se ele descer este imposto o Governo vai ou não ter de mexer noutros impostos? Claro que sim ... Resta saber quais.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Sobre o preço da "gasosa"...
Não, não estou a falar de "pirolitos" e bebidas similares... Estou a falar da "gasosa" que se mete no tanque do automóvel e que custa agora os olhos da cara.
Como estou farto de ouvir asneiras --- até a alguns políticos que são professores universitários e tinham, por isso, a obrigação de fazer o trabalho de casa bem feito (ouviste, Francisco?) ---, resolvi espreitar o que se passa noutras bandas para comparar o que por lá se passa com o que se passa entre nós.
E fui espreitar, até por facilidade de obtenção de informação estatística, nem mais nem menos que o preço da gasolina em... New York. Melhor: o que me interessa verdadeiramente não é o preço absoluto --- esse já se sabe que nos States é uma pechincha em relação a "nóis" --- mas sim a variação do preço desde o início do ano.
Esse valor deve ser comparado com o equivalente em Portugal e que anda, salvo erro, pelos cerca de 10%.
E o que descobri? Que em New York a gasolina aumentou, desde o início do ano, 25,5% ! Muito mais que cá!

Mais: o preço do petróleo bruto aumentou 37% (bolas!...) desde o início do ano até ao passado dia 26 de Maio, quando atingiu uma média de 131,59 USD/barril (no início do ano estava a 96 USD/barril).
Note-se que o custo do petróleo bruto não tem de se repercutir tostão-por-tostão no preço da gasolina porque o preço desta inclui uma larguíssima fatia de imposto e porque, mesmo antes de imposto (i.e., à porta da refinaria), o custo dela reflecte também outros custos (pessoal, etc) de produção. E isto para não falar dos custos de distribuição.
Moral da história: o melhor é não falarmos muito porque senão ainda aumentam ainda mais o preço da gasolina... Apesar de haver, aparentemente, ainda alguma margem para baixar a o preço da gasolina "à porta da fábrica"...
E então os impostos? Não se pode baixá-los? Poder pode, mas... E quais serão as consequências? Agravamento do défice fiscal que todos iremos pagar com a subida de outros impostos...
Mais: não acredito que, a não ser que essa descida seja realmente significativa, ela possa atingir valores que não virão a ser "comidos" 1 ou 2 meses depois pela continuação da subida dos preços internacionais do petróleo. E quando isso acontecer vão pedir o quê? Que continuem a baixar os impostos?
É... A coisa 'tá mesmo preta... Mas há culpados! Vejam, por exemplo, algumas explicações importantes em http://economia-tl.blogspot.com
Daí se deduz que os grandes culpados do que está a acontecer é o alargamento aos mercados das matérias primas (petróleo, alimentos, etc) do capitalismo financeiro que até recentemente estava algo limitado às bolsas de valores. Mas o melhor é lerem com os próprios olhos.
Como estou farto de ouvir asneiras --- até a alguns políticos que são professores universitários e tinham, por isso, a obrigação de fazer o trabalho de casa bem feito (ouviste, Francisco?) ---, resolvi espreitar o que se passa noutras bandas para comparar o que por lá se passa com o que se passa entre nós.
E fui espreitar, até por facilidade de obtenção de informação estatística, nem mais nem menos que o preço da gasolina em... New York. Melhor: o que me interessa verdadeiramente não é o preço absoluto --- esse já se sabe que nos States é uma pechincha em relação a "nóis" --- mas sim a variação do preço desde o início do ano.
Esse valor deve ser comparado com o equivalente em Portugal e que anda, salvo erro, pelos cerca de 10%.
E o que descobri? Que em New York a gasolina aumentou, desde o início do ano, 25,5% ! Muito mais que cá!

Mais: o preço do petróleo bruto aumentou 37% (bolas!...) desde o início do ano até ao passado dia 26 de Maio, quando atingiu uma média de 131,59 USD/barril (no início do ano estava a 96 USD/barril).
Note-se que o custo do petróleo bruto não tem de se repercutir tostão-por-tostão no preço da gasolina porque o preço desta inclui uma larguíssima fatia de imposto e porque, mesmo antes de imposto (i.e., à porta da refinaria), o custo dela reflecte também outros custos (pessoal, etc) de produção. E isto para não falar dos custos de distribuição.
Moral da história: o melhor é não falarmos muito porque senão ainda aumentam ainda mais o preço da gasolina... Apesar de haver, aparentemente, ainda alguma margem para baixar a o preço da gasolina "à porta da fábrica"...
E então os impostos? Não se pode baixá-los? Poder pode, mas... E quais serão as consequências? Agravamento do défice fiscal que todos iremos pagar com a subida de outros impostos...
Mais: não acredito que, a não ser que essa descida seja realmente significativa, ela possa atingir valores que não virão a ser "comidos" 1 ou 2 meses depois pela continuação da subida dos preços internacionais do petróleo. E quando isso acontecer vão pedir o quê? Que continuem a baixar os impostos?
É... A coisa 'tá mesmo preta... Mas há culpados! Vejam, por exemplo, algumas explicações importantes em http://economia-tl.blogspot.com
Daí se deduz que os grandes culpados do que está a acontecer é o alargamento aos mercados das matérias primas (petróleo, alimentos, etc) do capitalismo financeiro que até recentemente estava algo limitado às bolsas de valores. Mas o melhor é lerem com os próprios olhos.
domingo, 25 de maio de 2008
25 de Maio: Dia de África! Felicidades!
Comemora-se hoje mais um "Dia de África". Infelizmente, porém, ele não traz nada de verdadeiramente novo quanto ao futuro do continente. E com a crise do preço dos alimentos que por aí vai "a coisa 'tá preta"...
Esperemos (esperamos todos os dias, não é verdade?) que as coisas melhorem mesmo no futuro próximo.
E enquanto houver sorrisos destes a confiança no futuro só pode ser grande!
sábado, 24 de maio de 2008
Ó pra eles!... E esta, hem?!...
Credo! Que susto apanhei quando fui consultar o "site" do Gabinete do Primeiro Ministro de Timor Leste para saber das suas últimas iniciativas. Ora vejam o que encontrei:
Na versão em português:
E na página em inglês:

E agora? Fiquei sem saber qual é o Primeiro Ministro e o que anda fazendo... :-)
E esta, hem?!...
PS - O quê?!... Não é nenhum destes? Então quem é, bolas?!... Assim não me entendo!..
Na versão em português:

E na página em inglês:

E agora? Fiquei sem saber qual é o Primeiro Ministro e o que anda fazendo... :-)
E esta, hem?!...
PS - O quê?!... Não é nenhum destes? Então quem é, bolas?!... Assim não me entendo!..
A verdade é que... (a propósito do terramoto na China)
Pois é... Mais cerca de 80 mil vidas que, entre mortos e desaparecidos (mas mortos, em 99,999999% dos casos...), se vão em mais um grande terramoto na China.A hora a que ocorreu no local (pouco depois do almoço) aumentou significativamente o número de vítimas. Mas muito provavelmente se tivesse sido durante a noite o resultado não seria muito diferente. Até poderia ser pior...
Porque o problema é que as autoridades chinesas têm sido completamente descuidadas quanto à construção de edifícios em zonas propícias à ocorrência de terramotos. E esta é uma delas, como se pode verificar no mapa abaixo. "Construção anti-sísmica? Hummmm!... Não conheço!...".

A qualidade da construção na China é, de uma forma geral, relativamente fraca. As próprias estruturas dos prédios parecem feitas com fósforos, tal a grossura (reduzidíssima) dos pilares usados.
Aliás, se se derem ao trabalho de ver com atenção as fotos que aparecem nos jornais poderão aperceber-se do que falo. A verdade é que, por responsabilidade das autoridades chinesas, tudo aquilo é completamente inadequado às características sísmicas da região. Por isso quando a terra tem um arrepio de frio um pouco maior, os prédios caem como baralhos de cartas empurrados por um leve sopro.
Temos, pois, que a intensidade do terramoto, embora muito forte (7,9 graus!), não justifica, só por si, os efeitos devastadores que teve, varrendo do mapa povoações inteiras. É que os prédios caíram mesmo como cartas! Indescritível!

Esperemos que os responsáveis chineses aprendam a lição e passem a tomar mais a sério a necessidade de adaptar o tipo de construção às características sísmicas do seu território. Caso contrário daqui a poucos anos teremos novo cataclismo no género e dimensão deste.
O pior é o que já está construido e que vai soterrar mais umas dezenas de milhares no próximo grande terramoto...
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Bem prega Frei Tomás!... Alguns elementos sobre a ajuda internacional da União Europeia (e de Portugal, claro)
Acaba de ser publicado (hoje) pela confederação europeia de ONGs de apoio ao desenvolvimento uma análise sobre a ajuda internacional da União Europeia, particularmente dos países que há mais tempo participam nela e na ajuda ao desenvolvimento.
Trata-se do documento No Time to Waste: European governments behind schedule on aid quantity and quality; o seu título diz logo ao aque vem já que pode ser traduzido, com alguma liberalidade, por "os governos europeus estão atrasados em relação ao programado quer na quantidade quer na qualidade da ajuda".
Quanto à quantidade, o gráfico abaixo ilustra a situação: tendo afixado para si próprios que a ajuda a conceder aos países em desenvolvimento seria de 0,51% do Rendimento Nacional em 2010 e 0,7% em 2015 --- data em que termina o prazo para alcançar os chamados "Objectivos do Milénio" pelos países em desenvolvimento ---, a verdade é que a situação é muito díspare entre os países. Se uns, os países nórdicos, já ultrapassaram hoje as metas fixadas (incluindo a mais alta), vários países estão muito abaixo do programado e será impossível alcançarem aquelas metas nas datas previstas. Portugal é um destes casos, com apenas 0,21% em 2006, valor que desceu para 0,19% em 2007 (clique nas imagens para as aumentar, sff).
Além disso, o nosso país é dos que têm a sua ajuda mais "ligada". Isto significa que uma parte muito significativa é constituída por bens/serviços nacionais, sendo muito menor a parte que é usada para adquirir bens/serviços a outros países mas com destino final aqueles a que Portugal concede ajuda. Neste domínio a Itália é, de longe e desde há muitos anos, a recordista. Note-se que se considera que uma ajuda menos "ligada" é algo de positivo porque permite que se adquiram bens e serviços mais em conta noutros mercados (por exemplo outros países em desenvolvimento) para fornecer aos países receptores da ajuda.

Por outro lado e quanto ao futuro, o gráfico abaixo ilustra bem a evolução que se espera vir a acontecer. Como se pode verificar a tendência actual é vir a ficar-se muito aquém do prometido pelos países europeus.
Recorde-se que estes exercem grande pressão sobre os países em desenvolvimento para que adoptem e alcancem as metas fixadas para os 7 Objectivos do Milénio que devem prosseguir mas quanto ao único que é da sua própria responsabilidade... "moita, carrasco!...". Em vez dos 67 mil milhões de euros que deveriam ser gastos em 2010 as despesas de ajuda não deverão ultrpassar cerca de 42 mil milhões, menos de 2/3. Bem prega Frei Tomás!...

Finalmente, refira-se que o relatório faz também uma análise da cooperação externa de cada país europeu mais envolvido na ajuda ao desenvolvimento. Abaixo está a informação relativa a Portugal
Trata-se do documento No Time to Waste: European governments behind schedule on aid quantity and quality; o seu título diz logo ao aque vem já que pode ser traduzido, com alguma liberalidade, por "os governos europeus estão atrasados em relação ao programado quer na quantidade quer na qualidade da ajuda".
Quanto à quantidade, o gráfico abaixo ilustra a situação: tendo afixado para si próprios que a ajuda a conceder aos países em desenvolvimento seria de 0,51% do Rendimento Nacional em 2010 e 0,7% em 2015 --- data em que termina o prazo para alcançar os chamados "Objectivos do Milénio" pelos países em desenvolvimento ---, a verdade é que a situação é muito díspare entre os países. Se uns, os países nórdicos, já ultrapassaram hoje as metas fixadas (incluindo a mais alta), vários países estão muito abaixo do programado e será impossível alcançarem aquelas metas nas datas previstas. Portugal é um destes casos, com apenas 0,21% em 2006, valor que desceu para 0,19% em 2007 (clique nas imagens para as aumentar, sff).
Além disso, o nosso país é dos que têm a sua ajuda mais "ligada". Isto significa que uma parte muito significativa é constituída por bens/serviços nacionais, sendo muito menor a parte que é usada para adquirir bens/serviços a outros países mas com destino final aqueles a que Portugal concede ajuda. Neste domínio a Itália é, de longe e desde há muitos anos, a recordista. Note-se que se considera que uma ajuda menos "ligada" é algo de positivo porque permite que se adquiram bens e serviços mais em conta noutros mercados (por exemplo outros países em desenvolvimento) para fornecer aos países receptores da ajuda.
Por outro lado e quanto ao futuro, o gráfico abaixo ilustra bem a evolução que se espera vir a acontecer. Como se pode verificar a tendência actual é vir a ficar-se muito aquém do prometido pelos países europeus.
Recorde-se que estes exercem grande pressão sobre os países em desenvolvimento para que adoptem e alcancem as metas fixadas para os 7 Objectivos do Milénio que devem prosseguir mas quanto ao único que é da sua própria responsabilidade... "moita, carrasco!...". Em vez dos 67 mil milhões de euros que deveriam ser gastos em 2010 as despesas de ajuda não deverão ultrpassar cerca de 42 mil milhões, menos de 2/3. Bem prega Frei Tomás!...

Finalmente, refira-se que o relatório faz também uma análise da cooperação externa de cada país europeu mais envolvido na ajuda ao desenvolvimento. Abaixo está a informação relativa a Portugal
terça-feira, 20 de maio de 2008
Posso pedir uma coisa?!...
Além de dar os parabéns a Timor Leste pelo 6º aniversário da sua "intependência/restauração da" posso pedir que tenham saúde e felicidade?!... E já agora e como condição sine qua non para ambas... que os políticos do país tenham juízo. É que quando a cabeça (dos políticos) não tem juízo o corpo (dos outros...) é que paga... Tá?!...


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