quarta-feira, 14 de maio de 2008

Que confusão de narizes!...

Segundo o "Timor Online" Ramos Horta acaba de dar uma entrevista ao The Earth Times em que afirmou nomeadamente:

"I have three priorities for the next two years: first, the reorganization of the police force and Army. Second, serious efforts to alleviate poverty with cash for the most vulnerable, like old people and veterans. They should get 100 US dollars monthly. Third, to invest in infrastructure projects that create a lot of jobs."
[Eu tenho três prioridades para os próximos dois anos: primeiro, a reorganização da Polícia e do Exército; segundo, esforços sérios para reduzir a pobreza com transferências em dinheiro para os mais vulneráveis, como os idosos e os veteranos. Eles devem receber 100 USD/mês. Terceiro, investir em projectos de infraestruturas que criem muitos empregos]

Mas... isto não é um programa de Governo?!... Afinal eu perdi alguma coisa no "filme" da História? O eu sonhei e VEXA não foi eleito Presidente da República em 2007 e continua a ser Primeiro-Ministro?
E como vai implementar este seu "programa de Governo"? Já está preparando o Orçamento para apresentar ao Parlamento a fim de ele o aprovar (ou não)? E as leis: já estão a ser redigidas? E essa promessa dos 100 USD/mês é para ser cumprida por quem? Por si pessoalmente, do seu orçamento familiar? E se o Primeiro-Ministro "de facto" ou de facto não "alinhar" nas suas promessas? Vai andar à chapada com ele ou demite-o e convoca eleições antecipadas? Ou VEXA é um maroto e está a fazer isto para "entalar" o PM? Bem pensado; VEXA promete e ele não cumpre... e demite-o. Genial!... Um bocadinho maquiavélico, não?!... Maroto!... "Naughty boy"!...

E foi por acaso que se esqueceu daquilo que é, de facto, função primordial de um Presidente da República --- cumprir e fazer cumprir a Lei, nomeadamente a Constituição, no quadro da consolidação e funcionamento regular de um Estado de Direito? Ou esqueceu-se de propósito? E se isso não faz parte das suas prioridades, faz parte das prioridades de quem?

Que confusão de narizes!...

"A voz" calou-se há 10 anos!


Parece que foi ontem... Ou, melhor, parece que não aconteceu! Mas foi já há 10 anos, dia por dia (14 de Maio de 1998), que Frank "The voice" Sinatra morreu. Quantos quarentões, cinquentões e mais "ões" não começaram a constituir família ao som das suas canções?!... "Cheek to cheek"... :-)
Recorde aqui e aqui aquela que muitos consideram ser a melhor voz de todos os tempos. Masculina, pelo menos. Porque quanto a feminina ninguém me tira a Gracinha... Também conhecida por Gal Costa!...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Subida dos preços dos alimentos e políticas governamentais

O documento do Banco Mundial citado no ‘post’ anterior (ver texto aqui) analisa uma série de medidas que os governos podem tomar para fazerem face à subida dos preços dos alimentos, reduzindo os seus impactos negativos sobre a população, nomeadamente a mais pobre.
As intervenções governamentais podem ser de três tipos principais:
a) assegurar às famílias o acesso ao mínimo necessário de alimentos a custo que elas possam suportar;
b) fazer baixar os preços praticados no mercado interno através de medidas de curto prazo, incluindo de natureza administrativa;
c)
fazer aumentar, a médio-longo prazo, a produção interna de alimentos.

De entre as medidas do primeiro tipo destaca-se a transferência de dinheiro para grupos sociais mais vulneráveis (nomeadamente os de mais baixos rendimentos e/ou os residentes em zonas especialmente desfavorecidas) que lhes permita continuar a comprar as quantidades necessárias de alimentos. Estas transferências em dinheiro devem ser feitas, de preferência e sempre que possível, mediante a prestação de contrapartidas pelos beneficiários tais como o envio dos filhos para a escola (o suplemento alimentar pode dirigir-se especialmente a estas crianças, obrigando as famílias a enviá-las para a escola --- o que permite ‘aliviar’ a pressão de compra de alimentos pela família) e a participação em esquemas de “alimentos contra trabalho”, particularmente em benefício da comunidade (ex: manutenção de escolas, reparação de estradas rurais, etc), esquemas estes que poderão ou não serem mediados por pagamentos em dinheiro já que se sabe que a este nível de rendimentos a maior parte destes são utilizados na compra de alimentos.

Exemplo de medidas do segundo tipo é a redução (temporária) de direitos alfandegários nas compras de bens alimentares importados sob condição de esta redução dos impostos se reflectir, de facto, no preço final, não sendo “apropriada” pelos importadores e restante circuito comercial.

Incluem-se também neste grupo de medidas a definição de subsídios a conceder que possam contribuir para baixar os preços mas tais subsídios devem beneficiar apenas e só os grupos sociais mais desfavorecidos e não a generalidade dos consumidores. A distribuição directa de cereais pode incluir-se neste grupo de medidas e, tal como referido, deve beneficiar apenas os grupos de mais baixos rendimentos, não devendo ser generalizada aos que têm maior capacidade financeira para suportarem a subida dos preços. Naturalmente, pressupõe-se que em todos os casos há que reduzir ao mínimo possível os níveis de pequena/grande corrupção que tende a surgir associada à intervenção do Estado e seus agentes na concessão de subsídios e/ou de alimentos.

Finalmente, a fim de facilitar o aumento da produção interna de alimentos (que permitirá melhorar a satisfação da procura e reduzir a dependência da sua importação) deve-se limitar ao mínimo a intervenção sobre os preços de mercado pois uma subida destes pode ser uma “benção do céu” ao remunerar melhor os agricultores nacionais, incentivando-os a produzir mais. Por exemplo, no caso do arroz nacional em Timor-Leste, a subida dos preços do arroz importado pode não só ajudar ao escoamento da produção de arroz nacional, tradicionalmente mais caro que o nacional, mas também incentivar o aumento da produção para além dos níveis actuais, nomeadamente através do uso de alguns químicos que permitam aumentar a produção e da prática, onde possível, de duas sementeiras/colheitas no mesmo ano agrícola.

A “lição” acaba aqui...

(clique na imagem para a ampliar, sff)

O melhor é irem pondo as barbas de molho...

... porque o aumento dos preços dos bens alimentares, incluindo o arroz (o preço de exportação do da Tailândia passou de 365 USD/Ton em Janeiro/08 para 562 USD/Ton em Março...), veio para ficar! Pelo menos nos anos mais próximos!
É isso, pelo menos, que concluíu o Banco Mundial num estudo recente sobre o funcionamento dos mercados de bens alimentares. Voltaremos a este estudo mais tarde. Por agora fiquem-se apenas com as previsões para a evolução do preço do arroz (verdadeiramente do índice de base 2004=100) para os anos até 2015, isto é, a curto e a médio prazo (clique no gráfico para o aumentar).

Como se pode verificar, o preço do arroz em 2008 será, em média, o dobro de 2004 e a tendência é para se verificarem aumentos ligeiros em 2009 e e 2010.
Depois, lá mais para 2015, o preço será um pouco mais baixo. Mas uma coisa é certa: quer em relação ao arroz quer em relação a outros cereais a tendência vai ser para se manterem, de agora em diante, preços bem mais altos do que estavamos habituados. Preparem-se! Nomeadamente os países em desenvolvimento importadores de alimentos. Onde irão eles buscar dinheiro para pagar a fatura? Que, recorde-se, é a juntar à do petróleo.
É!... A coisa não 'tá fácil, não!

domingo, 11 de maio de 2008

(Des)emprego jovem na Ásia em desenvolvimento

Segundo o Asian Development Outlook 2008 publicado recentemente pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (www.adb.org), cerca de 20% da população asiática era jovem, sendo que cerca de 40% dos do sexo masculino estavam desempregados; esta taxa sobe até aos 60% para as mulheres jovens.

Como se vê o problema não é apenas timorense, afectando a grande maioria dos países em desenvolvimento na região, particularmente os países do Sudeste Asiático e do Pacífico ("SEAP" no gráfico acima).
Não se antevendo fácil a absorção no curto-médio prazo de um número tão elevado de desempregados devido às limitadas capacidades de expansão do emprego produtivo, o Banco aconselha a que, como forma de preparar os jovens para o futuro, se aposte numa política de melhoria dos curricula das escolas (a todos os níveis de ensino) que permita um aumento significativo da qualidade do ensino e contribua para uma maior aproximação entre o ensino e as necessidades da produção através, nomeadamente, do desenvolvimento do ensino mais prático, de formação profissional.
Simultaneamente é aconselhável que, sempre que possível, se concedam apoios aos que saem do sistema de ensino melhor preparados para iniciarem uma actividade profissional por conta própria.

A isto permitimo-nos adicionar uma outra vertente em que esta melhoria (significativa!) da qualidade de ensino pode ser útil: é que, face à dificuldade de criar empregos no país, há que encarar de frente a possibilidade de adoptar uma política de emigração dos cidadãos nacionais. E quanto melhor for a sua formação melhor será a possibilidade de encontrarem um emprego remunerado noutro país beneficiando o seu próprio através da remessa de fundos para apoio às famílias e algum investimento. O que não falta no mundo são exemplos de países que acabaram por adoptar uma estratégia destas... Não é verdade, Cabo Verde?!...

sábado, 10 de maio de 2008

'Sebum' indonésio em pele timorense...

Brrrr!... Confesso que concordo que esta não é a forma mais agradável de colocar a questão mas parece-me uma das mais apropriadas. Outra imagem poderia ser a daquelas canetas usadas para escrever nos quadros brancos de certas salas de aula mas que, por má qualidade das ditas canetas, é uma carga de trabalhos para apagar o que foi escrito com elas. Fica sempre uma sombrazinha a espreitar e a irritar pois que ainda suficientemente legível...

Mas afinal do que estou para aqui a falar.
O "sebum" é aquela gordura (sebo) que, nomeadamente quando a sua segregação é maior que o usual, acaba por tornar a pele algo oleosa e com um cheiro não muito agradável... Além disso parece que por mais que se lave a pele o seu cheiro nunca sai ou, quando sai, "arrepende-se" depressa e volta a "espreitar"... É por isso que, principalmente as senhoras, gostam de terminar a aplicação de um perfume com umas gotas atrás das orelhas... :-)

Vem isto a propósito de uma "tese" que venho defendendo há muito tempo: a de que a pior (ou, pelo menos, uma das piores...) herança(s) que os indonésios deixaram em Timor Leste foi a da sua forma de pensar e actuar perante vários assuntos e que acabou por se impregnar na "pele " dos timorenses, levando-os a adoptar comportamentos ou "soluções" do tipo "indonésio" e que aprenderam com os seus "mestres" de quase um quarto de século.

Dois exemplos do que digo ao nível das políticas (mais ou menos...) económicas.
O primeiro refere-se à maneira de "resolver" o problema do (des)emprego. É sabido que os indonésios se defrontaram em Timor Leste (o "seu" Tim-Tim") com um grave problema de desemprego e de uma enorme dificuldade em criar empregos "modernos", minimamente produtivos. A "solução" foi criar uma "Função Pública" hiper-dimensionada em relação às necessidades de administração normal da "província" com a consequência de a produtividade de muitos funcionários ser relativamente baixa --- mesmo bom para "ter a unha comprida"... Era o "custo" de manter os timorenses algo dependentes --- e nesse sentido "solidários" --- com a ocupação indonésia de Timor Leste.
Ora parece que no Timor Leste independente se "recuperou" rapidamente a "receita" indonésia para ajudar a fazer face ao problema da crónica dificuldade em gerar empregos produtivos no país. É assim que hoje em dia, passados quase dez anos do fim da administração indonésia, se está, neste domínio, no ponto em que os ex-ocupantes o deixaram: com um número de funcionários públicos que se aproxima bastante dos que existiam antigamente --- e, no caso de muuuuiiiitos deles, com uma produtividade igualmente muito baixa.
E o pior é que o incentivo e a perspectiva de que haja uma reversão da situação é menos que pouca ou nenhuma... Pois se o Fundo Petrolífero parece ser um saco sem fundo e tem cada vez mais dinheiro...

Segunda manifestação do "sebum" indonésio: o "dedinho ligeiro" para se adoptarem "soluções" que passam por intervenções do Estado no funcionamento da economia e da sociedade através da interferência na formação dos preços no mercado e a através da concessão de subsídios, prática useira e vezeira dos indonésios no tempo da sua administração de Timor --- sim, porque hoje já se deixaram disso na grande maioria dos casos...

Estes são apenas dois exemplos do "sarro" que os indonésios deixaram na "pele" (na verdade não foi na pele mas na cabeça...) dos timorenses ou, pelo menos, de uma grande maioria deles.

É curioso também verificar-se, neste domínio, uma certa "divisão de classes" entre os timorenses. Os "do interior" --- que viveram a maior parte do tempo da ocupação indonésia em Timor Leste --- têm, como é natural, uma tendência maior em "refugiarem-se" nas "soluções" indonésias (até porque elas corresponderam à única "experiência de vida" que tiveram...). Outros, os "estrangeirados" que regressaram a Timor depois de 1999 dos seus exílios no exterior, têm menor tendência a serem influenciados por tais "soluções" --- note-se que não é por acaso que uso sempre aspas na palavra...

Em certo sentido e apesar de o actual governo ter vários "estrangeirados", a (pelo menos aparente) facilidade com que ele vai procurar "soluções" ao manual indonésio por onde "estudaram" (na escola da vida) muitas das suas principais figuras revela bem a natureza da experiência por elas vivida. Há que reconhecer que no governo anterior o recurso a este tipo de "soluções" não era tão evidente ou, se quisermos, tão imediato.
Neste sentido, parece até que a História de Timor nos anos pós-2002 pode ser vista, num dos seus prismas, pelo do confronto entre "estrangeirados" e "do interior". Não é a primeira vez na História do Mundo que tal acontece e não terá sido também a última.

Enfim, creio que nestes domínios muita coisa deveria mudar. Mas qualquer mudança tem de começar pela das cabeças. Pelo menos do seu interior... Dos parafusos? Das porcas? Do "passo" de uns e de outras e do apertar para a esquerda ou para a direita? Não sei. Mas que alguma coisa tem de mudar, tem...

PS - lembram-se da famosa declaração de XG de apreço pela obra (económica, pelo menos) de Suharto aquando da morte deste? Pois é "filha" do tal "sebum" indonésio que se agarrou como lapa à "pele" de muitos timorenses --- incluindo os seus "chefes". É, salvo as devidas proporções e com todo o respeito pelos milhares e milhares de mortos, uma manifestação de um outro comportamento que se nota também em muita gente: a de que, em parte, até nem se importavam de serem "indonésios sem os TNI"...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Retiro espiritual em Ataúro para ajudar a resolver as questiúnculas entre os líderes timorenses?

Loro Horta propôs recentemente a realização de um verdadeiro "retiro espiritual" em Ataúro para que os líderes históricos de Timor Leste façam, cara a cara e olhos nos olhos, a catarse de tantos anos de pequenos e grandes ódios entre eles.
É uma sugestão de cristão... Tal pai, tal filho... Mas infelizmente não me parece que dê resultado. Se não perdoaram até agora não vejo porque o hão-de fazer nesta ocasião...
Mas a viagem a Ataúro pode ser útil... se for só com bilhete de ida... :-) Para todos!... E aproveitam e ficam todos a plantar abóboras e/ou a pescar para "exportarem" para Dili...
Entretanto o poder é entregue à segunda geração, a que não tem os ódios gerados no passado... E de preferência para criarem um governo de perfil mais técnico que político... É que nessa geração há quem tenha perfil para formar um governo com estas características e que servirá, nomeadamente, para baixar as tensões sociais e políticas entre os vários grupos da sociedade timorense.
Não será difícil formar tal governo: afinal trata-se de governar uma população de um concelho de uma cidade de média dimensão em qualquer parte do mundo... Só com uma especificidade: na cidade há uma zona de hortas (com minúscula!...) maior que o usual nas cidades e por isso mesmo a precisar de tratamento (muito) especial.

Até já tenho o governo para a "Câmara Municipal"... :-)
Presidente da Câmara: BN (tem funções executivas muito limitadas; serve principalmente para "pôr ordem no galinheiro", unir os munícipes em torno de um projecto de futuro e convencê-los a não andarem à chapada uns com os outros sob risco de serem condenados ao inferno por Maromak e não deixar "gamar" o dinheiro público sob risco de serem queimados vivos pelas fogueiras da Inquisição)
Secretário Geral e chefe dos serviços (o verdadeiro "manda-chuva"): RA
Adjunto do Secretário-Geral e "pau-para-toda-a-obra": NA
Chefe dos Serviços de Economia: RG
[Adjunto do anterior e chefe da contabilidade (para quê um Ministro das Finanças?)]: HC
Chefe dos serviços das relações com os malais: LH
Chefe dos serviços de saúde (em acumulação; interinamente): RA
Chefe dos serviços de horticultura (em acumulação): RG
Chefe dos serviços de obras por fazer: o "Sr. Engº" (sei mas não me lembro do nome...)
Chefe dos serviços sociais e parecidos: MD
Chefe dos serviços de educação: BC
Chefe dos serviços de oposição (convém ter uma oposição, né?!...): JS
Chefe dos serviços de contencioso e ofícios correlativos: IF

Aposto que seria um sucesso!... :-) Querem experimentar?

PS - Desculpem, ataúros, por terem de ficar a aturar essa malta toda! Ganharão o céu!